Em um desabafo de quase 20 minutos nas redes sociais, Gláucia Regina Oliveira relatou a peregrinação de sua irmã, uma cozinheira escolar de 36 anos, pela rede de saúde pública. A denunciante afirma que o quadro de infecção na cabeça foi tratado repetidamente como enxaqueca e “depressão profunda”, acompanhado de suposto preconceito por peso e classe social antes da transferência.
Relato detalha descaso no pronto-atendimento e intervenção política para conseguir vaga na Unesp
O caso da funcionária pública municipal de 36 anos ganhou um novo e contundente capítulo após sua irmã, Gláucia Regina Oliveira, publicar um vídeo detalhado no dia 23 de junho de 2026 expondo a conduta médica e da equipe de enfermagem do pronto atendimento do hospital da Casa Pia São Vicente de Paulo. Segundo o relato, a paciente enfrentou uma série de idas e vindas no pronto-atendimento, onde as fortes dores de cabeça eram tratadas com sedativos e calmantes como Dramin, sob a alegação médica de que o hemograma estava normal e que o diretor da instituição estaria barrando pedidos de tomografia. “Os médicos foram negligentes, não olharam para a minha irmã. Estavam dopando e lascando calmante nela”, afirmou.
“Falei, a menina que conversa, que anda, que trabalha, que cuida dos filhos, cuida da casa, nessa situação você está falando que ela está bem? Como que ela está bem?” teria sido o desabafo da irmã da irmã a uma colaboradora do hospital. E segundo esta colaboradora, exames estariam sendo barrados: “Então, tá vendo aquele homem que desceu ali? Eu falei, não, não vi. Ela falou assim, ele é o diretor do hospital, ele está barrando todos os pedidos de ressonância, tomografia. Falei, então encaminha para a UNESP. Eu falei, simples assim, eu queria um encaminhamento” continuou a irmã no vídeo.
A denúncia aponta episódios graves de suposto atendimento desumanizado no manejo físico na entrada das ambulâncias e discriminação por parte de funcionárias da enfermagem. De acordo com Gláucia, o braço da paciente foi deixado pendurado sem suporte durante uma coleta de sangue, gerando sangramento no chão, e uma enfermeira loira teria se recusado a ajudar em um banho na segunda-feira subsequente à internação de domingo, alegando: “Não vou ajudar, ela é muito gorda, vai vocês.” O relato também aponta frases preconceituosas da equipe como “pobre só vai no hospital para fazer barraco”. A transferência para o Hospital das Clínicas da Unesp só ocorreu após o apelo familiar aos vereadores Serginho e Letícia, além de Edson da rádio.
Após a transferência e uma cirurgia de emergência na Unesp para a retirada de grande quantidade de líquido acumulado na cabeça, o diagnóstico apontou que a gravidade do caso não correspondia aos pareceres iniciais de fundo psicológico dados na cidade. “Muitos médicos falaram que a minha irmã estava com uma depressão profunda. Mentira, ela estava com um problema sério”, desabafou a irmã, pontuando que os médicos da Unesp identificaram a gravidade do caso “só de olhar”. Atualmente, a paciente apresentou melhora e começa a recuperar a fala e os movimentos das pernas. A irmã cobra uma postura firme do poder público na fiscalização da saúde municipal, declarando que “praça e show não salvam vidas”.
Embora o protocolo inicial para cefaleia crônica possa envolver o tratamento de enxaqueca, a persistência absoluta dos sintomas por quase dois meses — sem resposta a analgésicos fortes e com a progressiva perda de funções neurológicas (fala, marcha e deglutição) — exigia obrigatoriamente a mudança de conduta investigativa.
O Hospital de São Manuel foi acionado por nossa reportagem e assim que se manifestar, aqui será inserida a resposta.
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde informou que foi acionada no dia 28 de maio pelas duas irmãs da paciente e também pelo cunhado. Vieram por intermédio dos vereadores Fernando “Fefê” e Matheus Félix. Também entrou em contato o Edson da Rádio.
Na ocasião, diante da gravidade do quadro relatado, a orientação da Secretaria foi para que a paciente procurasse imediatamente o Pronto-Socorro para avaliação médica, o que foi efetivamente realizado no dia seguinte.
A pasta esclareceu ainda que, em razão das dores agudas apresentadas, a paciente passou por avaliação médica no Pronto-Socorro, ocasião em que foi inserida no sistema CROSS para regulação de vaga em serviço de maior complexidade. Já no dia seguinte, foi disponibilizada vaga no Hospital das Clínicas da Unesp, para onde a paciente foi transferida, recebendo o tratamento especializado e adequado ao seu quadro clínico, onde se encontra até hoje.
A Secretaria Municipal de Saúde ressaltou ainda que recebeu com atenção os relatos apresentados pela família e que, diante das informações divulgadas, se compromete a averiguar os fatos, analisar os fluxos assistenciais envolvidos e adotar as providências cabíveis, reafirmando seu compromisso com a qualidade da assistência prestada à população e com a transparência na apuração de todas as circunstâncias relacionadas ao caso.
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