TRIBUTO À PRINCESINHA

Só a ficção nos permite, descrever em prosa, o imponderado, o utópico, o impensável, o impossível, o inverossímil, enfim tudo o que possa parecer quimérico e inusitado. Por outro lado, temos sempre que aproveitar e viver o imaginário toda vez que ele nos faz bem!
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Eu estava ali na estação da luz, no centro de São Paulo, numa sexta feira. Era em torno das 23 horas e o objetivo era fazer uma viagem de trem de São Paulo à São Manuel, nossa terra natal, e chegar para o dia da comemoração do seu aniversário.

O moderno trem iria partir as 00 horas do dia 16 de junho, justamente, para depois de 12 horas de viagem, chegar a nossa cidade, ao meio-dia do dia 17 de junho, com tempo suficiente para descansar, dar um giro pela cidade e estar lá desde as primeiras horas do dia em que a cidade completaria o seu 151º aniversário.

Embarcamos pontualmente as 00:00 h e depois de uma viagem bastante agradável, um sono repousante no moderno carro leito, eu me levantei e fui tomar o café da manhã, sempre servido com requinte, com seus talheres de prata e porcelana portuguesa, ali no carro restaurante, impecavelmente decorado com suas mesinhas laterais de mogno, adornadas com um elegante abajur e um vasinho de flores naturais, sobre cada uma das mesas.

Olhando pela janela do restaurante, enquanto sorvia um delicioso café expresso, vi que já estávamos bem perto da Princesinha da Sorocabana, como nós sempre a chamávamos.

Alguns minutos depois, vi o trem passar por Botucatu, em seguida pela pequena estação de Toledo e o entroncamento da Igualdade, para, então adentrar suavemente na estação de São Manuel e estacionar em frente a sua linda estação ferroviária, muito bem conservada, com seus portões de ferro, sua pintura de cor creme, que me pareceu recém refeita, e o impecável piso, com ladrilhos pintados à mão com seus monogramas portugueses.

Na plataforma fomos recebidos, pelos garbosos e bem trajados funcionários da Estrada de Ferro Sorocabana em seus impecáveis uniformes e quepes, na cor azul marinho que retiraram nossas malas e as encaminharam para a saída da estação.

Peguei então um taxi e pedi ao motorista que fizesse um pequeno tour pela cidade, pois não a visitava há pelo menos uns 50 anos ou mais.

Eu precisava rever a minha terra, que não revia há tantos anos. Tinha saído de lá após ter concluído o colégio em 1970, voltado algumas vezes e depois tinha ficado toda essa eternidade sem visitá-la.

Assim que o taxi partiu, vi que contornamos um belo monumento, em mármore carrara, com a representação de várias carroças, em volta do antigo bebedouro de cavalos, onde carroceiros, ali representados, davam de beber aos seus cavalos, como o faziam na década de 50, aguardando a hora de encostar nos galpões da estação, para retirarem as cargas do trem, carregarem suas carroças e depois as distribuir pelos vários armazéns de secos e molhados e para as inúmeras lojas e casas comerciais da cidade.

Até hoje não sei se foi ali ao contornar a bela estátua, que bem representava a São Manuel de 1870, que viajei no tempo ou se foi antes, quando adentrei aquele trem da Sorocaba na Estação da Luz na capital.

O fato é que quando dei por mim e abri meus olhos, percebi que o taxi, em que eu estava, era um carro elétrico, moderníssimo, da marca Tesla, de última geração, conduzido por um motorista, elegantemente vestido, de terno e gravata, com seu garboso chapéu de chofer.

Quando lhe perguntei em que ano estávamos, ele me respondeu:

  • Estamos no dia 17 de junho de 2070. Hoje São Manuel faz 200 anos!

Sem me dar tempo de acusar o espanto, o taxista partiu silenciosamente e pegou o caminho, à esquerda da rua da estação, descendo uma das mais importantes vias comerciais da cidade, a Rua Batista Martins.

Comecei a ficar maravilhado com o que via…

O motorista foi me explicando que a cidade havia sido transformada em um museu a céu aberto e que logo após os anos de pandemia do Corona Vírus, em 2020/2021, o sistema de governo havia sido mudado totalmente em todo o mundo e havia uma nova ordem mundial. Não havia mais um presidente, nem câmara de vereadores e nem assembleia legislativa, tampouco prefeitos e governadores.

Tudo era administrado por meios eletrônicos pelo Governo Mundial e Central e a justiça era feita em apenas duas instâncias, a primeira e o STJ, onde 27 juízes com mais de 50 anos de idade e 30 de carreira comprovada, como advogados e com notável saber jurídico, eram eleitos pelos tribunais de cada um dos estados e referendados pela ordem mundial. A violência tinha sido praticamente erradica, a corrupção era praticamente inexistente e os poucos presos eram obrigados e retribuir a sociedade com seu trabalho nas prisões. Os casos gravíssimos eram sempre punidos com prisão perpétua.

Mas saindo da política e voltando ao meu tour, logo reconheci muitas das casas de comércio e das residências de várias famílias tradicionais, que ajudaram a construir a nossa cidade e incrível, lá estavam elas, todas restauradas. Sim restauradas conforme haviam sido construídas no passado!

O motorista voltou a me explicar que com o novo sistema de governo e o período pós pandemia as cidades do interior passaram a ser procuradas pelas famílias, interessadas em uma qualidade de vida melhor e São Manuel tinha sido uma das mais procuradas e agora, de uma maneira diferente, tinha voltado a ter a mesma pujança do período quando era uma das maiores produtoras e exportadoras de café do Brasil.

A cidade contava agora com mais de 600 mil habitantes, distribuídos em inúmeros condomínios de alto padrão, no seu entorno e a sua parte central era um museu ao ar livre. As pessoas eram representadas por robôs, com uma semelhança absurda e uma memória afetiva reconstruída por computadores de alta geração e com o uso de inteligência artificial.

Todas as casas antigas e prédios públicos haviam sido restaurados ou reconstruídos, mesmo quando não existiam mais, utilizando fotografias e plantas antigas.

Ao descer a Batista Martins logo vi a serraria dos Fittipaldi, a casa da família musical do meu amigo Arnaldo Catalan, o pequeno comércio da família Valente, a alfaiataria do Pitinim, o Quaiado, a fábrica de refrigerante dos Targa, o bar do Ambrozim…

Assim que passamos pela Ponte dos Silva, sobre o rio Paraíso, o motorista parou para abastecer, em um dos mais antigos e tradicionais postos de combustíveis da cidade, o Posto Silva, só que usando agora um sistema de recarga elétrica, já que os combustíveis fósseis haviam sido extintos e só havia carros elétricos.

Me emocionei ao lembrar que aquele posto tinha sido fundado pelo meu avô Manoel Agostinho, tendo bem ao seu lado o Armazém da família, onde meu pai e seus irmãos se fizeram como comerciantes. Espantado vi meu avô, o meu pai e meus tios, todos ali, em frente ao Armazém, acenando e sorrindo para mim. Do alto do grande sobrado, na sacada minha avó Ana Cândida também acenava, enquanto o carro era reabastecido.

Naquele momento uma pontinha de orgulho me encheu o coração ao me lembrar que o Posto Silva foi um dos primeiros postos de gasolina da bandeira Shell no Brasil e que a família tinha feito muito pela cidade, tanto no comércio, como nos esportes, onde por exemplo, durante muitos anos, meu avô, foi quem presidiu a Associação Atlética São Manuelense, a nossa querida Rubro Negra. Logo me veio a mente aqueles nossos derby’s com o time do América, sempre apoiados pela família dos Sakamotos.

Mas não comentei nada com o motorista, pois meu desejo era curtir a cidade, como se fosse um mero turista recém-chegado, sem qualquer interferência.

Após abastecermos, continuamos pela Batista Martins, passando pela, pela loja dos Casquel, a esquerda e depois a direita padaria do Benedetti e na esquina a loja dos Castaldi, isso mesmo, os mesmos, que a partir da geração seguinte seguiriam a carreira de advogados.

Em seguida pude ver, de relance, à direita, a relojoaria do Pascoal e do outro lado da esquina, a antiga Casa União, representada ali pelo simpático gerente Pippe.

No quarteirão seguinte passamos pela ótica do Piga, os Litério, o açougue do Quinato, a sapataria do Gato Russo e chegando na esquina, demos de cara com a Casa Melillo, onde o Rafa me acenava da esquina.

Antes que o carro entrasse à esquerda na rua XV de Novembro, demos uma descida a direita para passar e ver o patriarca dos Saleme em frente à sua Casa de Armas, ao lado da Tinturaria do ‘Pipinim’ chefe de família dos Orsi. Logo a frente vi a Madame, me acenando e dizendo ‘Bonjour’, Madame que era a nossa querida D. Dorothea, professora de francês e doceira, de mão cheia.

Assim que voltamos e entramos na parte central da rua XV, demos de cara com o antigo prédio da farmácia popular, todo restaurado, o Banco do Comércio Industria, dos Sales, a casa dos Garófalo, a Farmácia do Marcos de Oliveira, a Casa Ricci e a Casa Ricchetti, todos os prédios, incrivelmente restaurados na sua forma original e abertos à visitação e com os robôs de cada um dos seus personagens principais.

Na casa Ricci o Laudelino nos recebia na porta, sempre simpático, na casa Ricchetti, o Hermínio, acenava sorrindo, no prédio do banco Comércio e Industria, o Narciso Pascotto acenava do alto da escadaria da entrada. Em frente, na Farmácia do Marcos, vimos ele o Oswaldo Espírito Santo, amigos inseparáveis rindo de uma velha piada contada pelo Aleixo, seu braço direito…

E assim por diante a cada casa ou prédio restaurado tínhamos pelo menos um representante, completamente caracterizado e vestido à caráter, com características físicas e seu próprio modo de ser…

Na sequência alcançamos o fantástico prédio do Paço Municipal, inspirado na arquitetura da Prefeitura de Melborne, na Austrália, completamente novo como quando da sua inauguração em 1908, projetado que foi pelo Arquiteto Dácio Aguiar de Moraes, formado em Stuttgart na Alemanha e radicado em Botucatu. Na sua escadaria lá estava o prefeito, à época da inauguração, o Sr. Vitorino Barboza Júnior.

Em seguida atingimos o nosso lindo Jardim Público, com seu lindo coreto, todo restaurado, com todas as suas condições originais concebidas pelo engenheiro Dr. Alberto de Campos Mello e executado pela Empresa Diemberg, com seus bancos de granilite tendo os nomes de todos os doadores, normalmente casas comerciais tradicionais da cidade, estampados no encosto, os postinhos de ferro fundido e globos de vidro, a fonte, com sua cara de leão, em frente ao ‘vai e vem’ funcionando.

O mais importante, é que tinham retirados, todas aquelas anomalias, construídas durante anos, por vários alcaides, como o absurdo banheiro público soterrado, na parte em frente à igreja de São benedito, a inconsequente construção da banca e loja com banheiros, bem ali da rua XV, os inconcebíveis bustos de bronze, em frente ao coreto, o ridículo circuito de ginástica, perto do vai e vem, etc…

Finalmente tinham feito tudo aquilo que um bom administrador já deveria ter feito, há anos, ou seja, restaurar na sua forma original o nosso principal cartão postal.

Voltando ao tour, passamos em frente a ‘Loja do Sol’, do Birraque, o bar Ponto Chic, do Grandini, e na diagonal outro prédio histórico do Banco Comercial. No Ponto Chic, por sinal o velho Grandini, até nos serviu aquele seu tradicional cafezinho de coador.

Depois seguimos vendo a esquerda a Casa da Lavoura, a Coletoria Federal, a casa dos Godinho, dos Carrer, a casa do Zé Banana, o tradicional salão de cabeleireiro da Kika e por fim até chegarmos no nosso Estádio Municipal, com seu lindo portal de entrada, tendo ao final do seu muro o portãozinho da quadra de bocha.

Pedi então ao elegante motorista que continuasse o nosso tour por mais um tempo, visitando outros lugares queridos da cidade.

Voltamos e percorremos a Rua Moraes Gordo a tempo de passar pela Casa Brasileira onde o Miguel Gianfelice, me acenava da porta, depois pelo Foto Wada, o Maricchiaro, o açougue do Nilo, a casa dos Gerselli e na esquina o Cine Paratodos, o nosso ‘cinema velho’, onde o velho Benjamim, em pé na porta, ralhava com aquela turma de meninos que trocavam seus gibis, na calçada.

Então subimos e passamos em frente a antiga revenda Volkswagen, a Samac, onde estava exposto um fusca último tipo e zero km, com o Sr. Mazzei nos acenando.

Depois voltamos ao jardim, passando pelo moderno Cine São Manuel, onde o Ademar Augusto e o Mauro de Oliveira nos esperavam na recepção, com seus estilosos sofás vermelhos. Vimos também o bar Colonial do João Franco, a sorveteria do Chiquinho, a igreja de São Benedito e do outro lado a loja do Demétrio Kolimbrowskey e a pastelaria do Alemão.

Depois fomos contornando a Epitácio Pessoa, passamos pela casa dos Izique, a loja Americana do Turquiari, o armazém do Sakamoto, o bar do Kavakami, o açougue do Benjamim, a churrascaria Ki-Brasa, o bar Brasília e a loja de móveis do Mauro Bertozzo e até vimos em frente, o Gibe sorrindo, bem na porta da marcenaria do seu pai.

Na Av. Irmãs Cintra encontramos a linda Matriz, reluzente e em frente ao cinema do Salão Paroquial, vi o exigente padre Radici, gritando “cortaaaaaa” para o irmão Aldo, ao surgir na tela aquela cena picante de algum filme.

Na sequência vimos o solar dos Barros, a esquerda a casa do Ademar de Barros, depois a casa dos Pupo, até passarmos em frente a construção charmosa do hospital Casa Pia, o que me fez, imediatamente, relembrar dos seus médicos tradicionais, todos ali na escadaria, elegantes nos seus ternos, recobertos pelos jalecos brancos, como os queridos Dr. Rugai, Dr. Salum, Dr. Portella, Dr. Rafael Franco, Dr. Targa e Dr. Nilo.

Seguimos em frente e passamos pela casa Di Lello, pelo bar do Lixa, o armazém dos Bronzatto, o sobrado da D. Cota Lara, onde a poetisa Nair declamava um lindo poema da janela. Depois veio o nosso histórico Grupo Escolar, a empresa de ônibus do Manelito Casquel, o bar do Destro, o suntuoso Santuário Santa Terezinha, a casa Pascotto, o seminário de padres da Consolata e o nosso querido Instituto de Educação.

Voltamos ainda, para poder passar em frente ao Mercado Municipal, da banca dos Koike e da leiteria dos Litério e depois seguimos até o Clube Recreativo, para ver o seu portal monumental e seu salão de luxo, todo restaurando e agora preservado pelo ‘Condephaat’, para em seguida descermos novamente e passarmos na frente do prédio da antiga Rádio Clube, hoje Teatro, onde se podia ver, nos aguardando na porta, os seus expoentes máximos como Daniel de Oliveira Neves, Lino Saglietti e Nenê Plese, sem deixarmos de visitar também o Jornal o Tempo e ouvir um ‘ novo causo’ do nosso amigo Di Sanctis.

Por fim, um pouco cansado, comecei a pensar em um local para me hospedar, e nas opções, como, o Hotel Paulista, da antiga família Pagan, ali na rua Morais Gordo, ou no Hotel Comercial, dos Mena, quase em frente ao Paulista ou então mais perto da Matriz, na simpática hospedagem dos Rossitto, a tradicional pensão Líder.

Optei pelo hotel Paulista, mais central, perto do armazém do Del Bianco, para poder rever o meu amigo de infância, o Zezão dentro do seu velho Fordão 1946, com aquele grande sorriso, estampado, como sempre no rosto. Fordão que me fez escrever um livro “Paço a Passo – Uma viagem no tempo”, contando todas as nossas peripécias na adolescência.

Quando estou descendo do taxi para entrar no hotel, me ocorrem as lembranças de muitos outros amigos e famílias da cidade, como os Correa, Stefanini, Martucci, Gerzely, Marins, Meira, Baroni, Brollo, Barros, Mellão, Tedesco, Macedo, Santarém, Siqueira, Grava, Oliveira, Almeida Costa, Rosolino, Gianfelice, Littério, Lopes, Espírito Santo, Peres, Caneple, Campagnha, Ferreira, Zeminian, Dinhane, Amorim, Giovanni, Ortolan, Moratelli, Casquel, Campos, Braga, Frossard, Rebuá, Martinez, Godinho, Targa, Lima, Pascoalinotto, Pascotto, Zaparolli, Tirapelli, Bocardo, Rossetto,Vaz, Galerani, Karan, Lorenzetti, Pascon,Canela, Araujo, Martorelli, Teixeira, Fulan e José.

E ficaram, talvez esquecidas, tantas outras que o tempo não me deixou lembrar, mas que igualmente estão também lá bem guardadas no meu coração.

E aproveito e aqui para já me desculpar se não as mencionei em alguma parte do texto ou durante o descritivo de um fato ou lugar…

Enfim o objetivo da viagem, não era só para rever a minha terrinha, a minha ‘Princesinha da Sorocabana’, no dia do seu aniversário, nem tampouco no seu aniversário de 200 anos!

O meu objetivo não era só para rever seus armazéns, suas lojas, os postos de gasolina, os alfaiates, os sapateiros, os comerciantes, seu hospital, seus médicos, a pensão, os hotéis, os caixeiros viajantes, as sorveteiras, as escolas, as relojoarias, as lojas de brinquedos, as papelarias, as lojas de tecidos, as farmácias ou mesmo aquele atrevido casal de namorados que surpreendi se beijando no banco do jardim, embaixo do postinho de ferro, todos os três bem acesos.

Eu fui para me reencontrar com um mundo de recordações, que ficaram impressas nas suas calçadas, no seu jardim, no seu coreto, no entorno das suas igrejas, no relógio do Paço e em cada banco do jardim.

Eu fui para rever a felicidade dos muitos amigos, para curtir novamente suas famílias, com cada ser com quem partilhei cada dia, do tempo gostoso, da infância e da minha adolescência.

Eu fui para poder me entrelaçar, me abraçar com sua lua, com suas noites estreladas, quando o sopro da madrugada, não deixava a hora passar no seu lindo relógio, no alto da torre do Paço.

Eu fui para ver as carroças paradas ao redor do pequeno bebedouro da estação, para ouvir o ‘zum-zum’ das famílias ao se encontrarem na saída da missa, para me lembrar dos carnavais, das serenatas, dos desfiles de 7 de setembro, do tiro de guerra, dos jogos de futebol da rubro negra, da festa da Aparecida, das quermesses, com pipoca e quentão, da procissão de Corpus Christi!

Eu fui para ouvir o som do vento, farfalhar nas folhas das árvores, nas suas ruas vazias. Fui para ouvir o sino da matriz dar a sua 12ª badalada, nas suas noites frias, de julho. Eu fui para sentir o perfume de jasmim, exalando do velho caramanchão, do jardim…

Eu fui para pegar um pouco de tudo isso, colocar numa grande cesta de lembranças, um pouquinho do jardim, das igrejas, dos cinemas, das casas, de cada prédio histórico, de cada casa com estilo, um pouquinho de cada tradição, de cada amigo, de cada família e depois empacotar tudo muito bem, mesmo que seja, usando apenas uma simples folha de papel de pão de uma de suas padarias e um pequeno pedaço de barbante de rolo, de seus armazéns, e então guardar tudo isso, de novo, muito bem embrulhado, para não escapar nunca, bem no fundo do meu coração!

Vou terminando esta crônica, cheio de saudades e me lembrando de uma linda frase de Charles Chaplin:

“O nosso coração não é uma estrada para passeio de muitos, mas, é o lugar em que só fica aquilo que se faz por merecer!”

José Luiz Ricchetti

thiagomelego

thiagomelego

Jornalista por tempo de serviço, Radialista, Administrador, tecnólogo em Recursos Humanos. Estuda Análise e Desenvolvimento de Sistemas.