Na madrugada do dia 11 de julho, Anderson L. dos S. N. — nome social Valentina, trabalhador rural de 33 anos — foi agredida por quatro pessoas na pista de skate de Itatinga. Enquanto era espancada com pedaços de madeira e chutes na cabeça, ouvia ofensas como “seu veado” e “nós vamos te matar”. Duas guias religiosas foram quebradas propositalmente. A Polícia Civil identificou os suspeitos e representou pela prisão.
Vítima foi atacada após discussão por cerveja; testemunha impediu golpe fatal contra a cabeça
Segundo o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Itatinga no dia 16 de julho, os fatos aconteceram na madrugada do dia 10 para 11 de julho de 2026. A vítima estava no local conhecido como “Arenabol”, na companhia dos amigos. Após deixarem o local, foram a um posto de combustíveis, onde compraram cigarros e um fardo de cerveja, retornando em seguida à pista de skate, onde permaneceram consumindo bebidas alcoólicas.
Nas proximidades, encontrava-se um grupo composto por I. A. S. (18 anos), Yasmin, L. A. F. S. (24 anos) e C. E. B. S. O. (20 anos), apontado como morador da “Favelinha”.
Em determinado momento, um indivíduo desconhecido — que segundo a vítima não possuía vínculo com o grupo — aproximou-se e retirou uma cerveja do fardo sem autorização. Ao manifestar insatisfação, C. ouviu a reclamação e iniciou discussão, afirmando que também pegaria uma cerveja e dizendo que naquele local “quem mandava eram eles”.
C. tentou retirar uma cerveja e ambos entraram em luta corporal, vindo a cair ao solo. A vítima relata que, quando recebeu a primeira paulada, já se encontrava caída no chão. Nesse momento, I., Yasmin e L. aproximaram-se e passaram a participar das agressões.
Segundo o relato, I. utilizava um pedaço de madeira para desferir golpes. Yasmin desferiu chutes na cabeça e golpes com pedaço de madeira por diversas partes do corpo. L. igualmente participou, utilizando um pedaço de madeira para golpear a vítima.
Enquanto era agredida, o grupo passou a proferir ameaças de morte e ofensas relacionadas à orientação sexual, chamando a vítima reiteradamente de “veado” e afirmando que iriam matá-la. As ofensas eram constantes durante toda a ação, simultaneamente às agressões físicas.
Durante as agressões, duas guias religiosas que a vítima utilizava foram quebradas e lançadas ao chão propositalmente, não sendo possível identificar qual dos envolvidos praticou o ato. I. teria feito comentários depreciativos, dizendo que a vítima “cultua o diabo”.
Em determinado momento, I. ergueu um pedaço de madeira na direção da cabeça da vítima dizendo: “agora eu te mato, seu veado”. Nesse instante, um dos amigos da vítima interveio, segurou as mãos de I. e impediu que o golpe fosse concretizado.
Após os fatos, o grupo deixou o local. I. ainda proferia ameaças: “eu ainda te pego, seu veado, eu vou te matar, seu veado”.
A vítima declarou que jamais teve desentendimentos anteriores com nenhum dos envolvidos, embora os conhecesse de vista e já tivesse trabalhado com alguns. Afirmou que já percebia comportamento hostil por parte de I. , que frequentemente a encarava de forma intimidadora.
A ocorrência foi registrada como homicídio tentado (art. 121 do Código Penal) e preconceito de raça ou cor por religião (art. 20 da Lei 7.716/89).
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