
Chega um momento na vida de algumas mulheres em que o espelho deixa de perguntar:
“Você está bonita?”
E começa a perguntar:
“Você ainda sabe quem é?”
É quando surge uma inquietação silenciosa.
Não porque faltou amor.
Não porque a vida foi ruim.
Mas porque, durante muitos anos,
ela foi mãe, esposa, filha, apoio, fortaleza…
para todos.
Menos para si mesma.
Então começam as perguntas:
Do que eu gosto?
O que ainda me emociona?
Quem sou eu além dos papéis que vivi?
E talvez o mais assustador seja perceber
que aquilo que durante anos parecia suficiente…
de repente já não basta.
Não é vontade de fugir.
É vontade de voltar.
Voltar para dentro de si.
Porque há mulheres
que passam metade da vida cuidando do mundo…
até perceberem
que também precisam se encontrar, se redescobrir…
José Luiz Ricchetti – 25 de maio de 2026


