COLUNA DO RICCHETTI – Mães esse lugar onde o tempo se ajoelha

COLUNA DO RICCHETTI - Mães esse lugar onde o tempo se ajoelha

Há um tipo de amor que não faz barulho.

Mas sustenta o mundo.

Hoje cedo, enquanto o café subia lentamente pelo coador e a janela deixava entrar uma luz tímida de outono, pensei nas mães… Nessas mulheres que atravessam décadas carregando nos ombros muito mais do que filhos. Carregam medos silenciosos, noites mal dormidas, preocupações que nunca confessam, sonhos adiados e uma estranha capacidade de continuar mesmo quando tudo dentro delas pede descanso.

Mãe raramente desiste.

Mesmo cansada.

Mesmo ferida.

Mesmo esquecida.

E talvez seja justamente aí que mora sua grandeza.

Quando eu era menino no interior paulista, havia uma espécie de ritual invisível nas casas simples. As mães acordavam antes do sol. A água já fervia quando os filhos despertavam. O uniforme dobrado sobre a cadeira. O pão aquecido no pano. O olhar atento percebendo até o silêncio diferente de cada filho.

Mãe sempre soube escutar aquilo que nunca foi dito.

Com o tempo, viajei o mundo. Conheci cidades iluminadas, aeroportos gigantescos, executivos brilhantes, culturas fascinantes… Mas confesso uma coisa que a vida me ensinou sem precisar de palavras:

Nenhum lugar do mundo transmite mais verdade do que o colo de uma mãe.

Porque mãe não oferece apenas abrigo.

Ela oferece pertencimento.

E pertencimento é uma das maiores carências da humanidade moderna.

Vivemos tempos curiosos… As pessoas falam demais, exibem demais, disputam demais. Mas continuam vazias. Talvez porque o mundo tenha aprendido a se conectar… sem necessariamente aprender a cuidar.

As mães sabem cuidar.

Mesmo quando ninguém cuida delas.

E há algo ainda mais bonito nisso tudo: mãe não ama pela performance do filho. Ama pela essência. Ama o filho vencedor e o perdido. O forte e o quebrado. O que ficou… e até o que partiu.

O amor de mãe não trabalha com mérito.

Trabalha com eternidade.

Talvez por isso, mesmo depois que elas se vão, continuam ficando.

Na comida que tentamos reproduzir sem conseguir.

Na frase que repetimos sem perceber.

Na oração antiga antes de dormir.

No jeito de organizar a casa.

No medo que sentimos quando alguém amado demora.

Mães permanecem.

O tempo leva a presença… mas não consegue apagar os vestígios do amor verdadeiro.

E talvez envelhecer seja exatamente isso: descobrir que muitas das forças que julgávamos nossas… eram delas dentro de nós.

Hoje, olhando a vida com a serenidade que os anos oferecem, penso que mães não deveriam ser homenageadas apenas por aquilo que fizeram.

Mas principalmente por aquilo que suportaram em silêncio.

Porque algumas mulheres não criaram apenas filhos.

Criaram dignidade.

Criaram caráter.

Criaram esperança em tempos difíceis.

Criaram luz onde quase ninguém percebia saída.

E isso… isso é quase sagrado.

No fim, a vida nos ensina algo profundamente simples:

O amor de mãe é o único lugar onde o tempo passa… sem conseguir destruir completamente a ternura.

Porque mãe é isso.

O único abraço que continua existindo… mesmo quando já virou saudade.

José Luiz Ricchetti

11 de Maio de 2026

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