COLUNA DO RICCHETTI – Dona Nenê Plese – A voz das manhãs

COLUNA DO RICCHETTI - Dona Nenê Plese - A voz das manhãs

Durante décadas, quem ligasse o rádio na Rádio Clube de São Manuel inevitavelmente acabaria encontrando uma voz familiar, firme e ao mesmo tempo acolhedora. Era a voz de Dona Nenê Plese, conduzindo o seu tradicional programa Sociais.

Em cidades grandes, a comunicação é barulhenta, apressada e muitas vezes distante. Já nas cidades pequenas, o rádio tem outro papel. Ele não apenas informa — ele aproxima, conecta, costura a vida cotidiana das pessoas. E foi exatamente isso que Dona Nenê fez durante tantos anos: costurou a vida da cidade com palavras.

O programa começou pequeno, dizem. Dez ou quinze minutos apenas. Mas como acontece com tudo aquilo que nasce verdadeiro, o tempo foi se expandindo. Vieram as entrevistas, os avisos da comunidade, as notícias da escola, os recados, as campanhas solidárias. Vieram também os telefonemas, as cartas, os encontros na rua. O programa deixou de ser apenas um espaço no ar. Tornou-se um ponto de encontro invisível entre a rádio e a cidade.

Em lugares como São Manuel, fazer imprensa nunca foi tarefa fácil. É trabalho de persistência. Muitas vezes de teimosia, como a própria Dona Nenê gostava de dizer. Mas é também um trabalho feito de afeto, porque cada notícia tem rosto, cada história tem nome, cada acontecimento toca alguém que mora logo ali na esquina.

Por isso, durante anos, quando o rádio se acendia, era como se a cidade inteira se reunisse em torno daquela voz. Pessoas que talvez nunca se encontrassem na rua dividiam o mesmo instante de escuta. E naquele momento simples — um recado, uma entrevista, um sorteio, um comentário — a vida cotidiana ganhava forma.

O rádio tem uma magia curiosa: as vozes entram nas casas sem pedir licença e acabam fazendo parte da família. Foi assim com Dona Nenê. Para muitos ouvintes, ela não era apenas uma apresentadora. Era uma presença constante, quase uma vizinha que chegava todas as manhãs trazendo notícias, reflexões e, às vezes, apenas companhia.

Hoje, quando se fala na história da rádio e da comunicação em São Manuel, é impossível não lembrar dessa voz que atravessou décadas. Uma voz que acompanhou mudanças da cidade, das gerações e do próprio rádio.

Porque no fundo, mais do que apresentar um programa, Dona Nenê ajudou a contar a história de uma comunidade.

E histórias assim não se desligam quando o rádio se cala.

Elas continuam ecoando na memória de quem ouviu.

José Luiz Ricchetti – 05/03/26

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