Mãe denuncia negligência no Pronto-Socorro Adulto. Jovem de 15 anos fugiu da unidade pela madrugada, com dores extremas, após não ser informado que sua vaga já estava liberada.
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Emergência médica e espera agonizante
Um adolescente de 15 anos perdeu o testículo direito após uma falha grave de comunicação e demora no atendimento entre o Pronto-Socorro Adulto (PSA) de Botucatu e o Hospital das Clínicas (HCFMB). O caso, que ocorreu no início de fevereiro, gerou revolta na família, que denuncia negligência do município.
O jovem começou a sentir dores às 7h de sexta-feira (6). Após passar por um posto de saúde, foi encaminhado ao PSA junto com a mãe, Claudineia Rodrigues, chegando ao local às 14h30. O médico plantonista diagnosticou suspeita de torção testicular — uma emergência médica que exige cirurgia rápida para salvar o órgão — e solicitou transferência via sistema CROSS para a Unesp.
O desencontro fatal de informações
A tragédia se desenhou na falha de comunicação. Segundo o Hospital das Clínicas, o pedido de vaga foi recebido às 17h07 e aceito imediatamente às 17h30. A partir daí, bastava a Prefeitura levar o paciente de ambulância.
No entanto, a mãe afirma que permaneceu no PSA com o filho sentindo dores extremas até as 23h30, sem que ninguém os avisasse da liberação. “Diziam que estavam esperando a Unesp liberar a vaga. Se tivessem me avisado que eu poderia levá-lo, nós mesmos o levaríamos”, desabafou Claudineia.
Fuga a pé e cirurgia de urgência
Desesperado e com dor insuportável, o adolescente fugiu do PSA no fim da noite e caminhou cerca de 8 quilômetros sozinho até o Hospital das Clínicas. Ele deu entrada na emergência às 2h da madrugada de sábado (7).
O diagnóstico foi confirmado, mas devido à demora de mais de 12 horas desde o início do atendimento, o testículo direito necrosou e precisou ser removido cirurgicamente. “O médico disse que, se demorasse mais, ele poderia ter perdido o outro também”, relatou a mãe.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura de Botucatu apresentou uma versão diferente. Em nota, alegou que a vaga foi liberada às 17h30, mas que o paciente “não foi localizado no PSA para encaminhamento” após as ambulâncias concluírem outros transportes. O município registrou o caso como “evasão do serviço”. A família contesta essa versão, afirmando que aguardou na unidade por horas sem receber informações.


