Polêmica na Câmara de São Manuel: Embate entre Amarilton e Serginho mostra que vereadores precisam repensar atitudes

Uma divulgação de uma imagem sobre a destinação de R$ 750 mil em verbas federais escalou para um confronto público durante a última sessão entre os vereadores Amarilton de Jesus Amato (PP) e Serginho Banda Show (PP). A fala levada a público pelo vereador Amarilton sobre a atitude de Serginho mostra à população que os vereadores precisam rever suas condutas e que o jogo político não é tão simples quanto talvez estejam imaginando.

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Câmara inicia recesso evidenciando fissuras no cenário político

A política de São Manuel caminha para fechar o ano em uma nova tensão, marcada por um embate público entre os vereadores Amarilton de Jesus Amato e Serginho Banda Show. A controvérsia, que vem se desenrolando há cerca de uma semana, teve seu ponto alto durante a sessão da Câmara Municipal na última segunda-feira, dia 15 de dezembro, e levanta questões sobre alianças, lealdade partidária e a forma como as verbas federais são comunicadas.

Tudo começou com a publicação, nas redes sociais do vereador Serginho, de uma imagem que funcionava como uma prestação de contas política. A peça visual trazia o deputado federal Maurício Neves (PP) em destaque e sorridente, ladeado pelos vereadores Amarilton e Serginho em pose positiva. Um texto grande informava que R$ 750 mil haviam sido destinados para obras de infraestrutura em São Manuel, com a mensagem reforçando que o valor foi liberado a pedido dos dois vereadores. Na imagem constava também que o valor já estava nas contas da prefeitura.

Nos bastidores, contudo, a situação era mais complexa. O ofício original do pedido do recurso havia, de fato, sido feito em nome de ambos os vereadores. No entanto, o fato de o vereador Serginho ter supostamente iniciado trabalhos e parcerias com deputados de outras siglas, pode gerar infidelidade partidária e sua expulsão do partido (exceto se liberado pelo partido). A própria equipe do deputado Maurício Neves teria percebido essa situação.

Por conta disso, rapidamente detectado que a foto do vereador Serginho não seria “bem vinda” naquela divulgação, ela foi rapidamente apagada e já que a equipe do deputado teria sugerido a gravação de um vídeo dele informando o feito e agradecendo apenas ao vereador Serginho. Embora o diretório municipal do Progressistas (PP) não tenha se pronunciado oficialmente, sabe-se que integrantes do diretório regional têm observado com descontentamento essa movimentação de Serginho. São Manuel está muito visada regionalmente, pois está sendo como um “laboratório político”.

Durante a sessão da Câmara, o vereador Amarilton, que é integrante da sigla PP, mas não o presidente, levou sua indignação a público. Ele fez o uso da palavra livre e afirmou que Serginho “não fez parte dessa conquista” e que “não propaga mais o nosso partido, o PP”, ao qual ele defende com veemência. Amarilton ressaltou sua lealdade ao deputado Maurício Neves, que “tanto nos ajuda, que nos acolheu, de uma forma, até na casa dele”. Ele considerou “injusto” Serginho repostar uma imagem que, segundo ele, já havia sido corrigida, criticando a suposta atuação do vereador com outras siglas.

Em sua defesa, o vereador Serginho expressou estranhamento com as acusações, lembrando que o recurso de R$ 750 mil foi enviado em nome dele e de Amarilton. Ele reiterou sua filiação ao PP, partido pelo qual foi eleito, e contestou a ideia de que estaria “empenhado em outro partido”. Serginho revelou ter recebido ameaças (mas não de quem) por agradecer uma cadeira de rodas que o deputado Felipe Franco – de outra sigla – lhe cedeu, argumentando que sua amizade com outros vereadores ou a busca por ajuda de deputados de outros partidos não deveria ser motivo de exclusão ou de desqualificação de sua lealdade. “Eu posso escolher a minha amizade”, afirmou. Ele também lamentou que Amarilton tenha levado a discussão para a tribuna da Câmara sem um diálogo prévio. “Faço parte do PP. Estou no PP. Embora alguns membros não queiram no PP, mas eu estou no PP”, concluiu.

No dia seguinte à sessão, terça-feira, o vereador Serginho fez um desabafo em suas redes sociais, ratificando seu compromisso com os 400 votos que recebeu e com o PP: “Tenho orgulho de fazer parte desse partido, respeito a sigla e sigo trabalhando conforme as orientações do PP.” Ele descreveu a fala de Amarilton como uma “intimidação” que tentou colocar em dúvida seu compromisso, mas que o deixou “fortalecido”. Serginho defendeu sua atitude de buscar ajuda para quem precisa, citando a doação da cadeira de rodas para uma criança, e questionou: “o que é mais importante, uma sigla partidária ou ajudar quem precisa?”. Ele finalizou afirmando que não é “tonto” e que seguirá firme em seu trabalho.

A complexidade da situação revela que houve falhas de comunicação e excessos de ambos os lados. Amarilton, ao insinuar publicamente a desfiliação partidária de Serginho e sua lealdade a outro partido, sem ser o presidente da sigla e sem um diálogo prévio, pode ter criado uma imagem de prepotência que talvez não o represente. Da mesma forma, Serginho, embora defenda sua autonomia e a prioridade de ajudar a população, precisa entender que a política também tem suas regras. Estando filiado ao PP e trabalhando com deputados do partido, seus movimentos com representantes de outras siglas podem não ser bem vistos às vésperas de um ano eleitoral, a menos que as conversas internas com o partido já tenham esgotado as possibilidades de apoio.

Discussões sem propósito como esta, levadas a público de forma tão acalorada, são negativas aos próprios vereadores. Em São Manuel, já vimos ex-vereadores, como Benetti e Kleber Benvindo, se envolverem em discussões triviais, perderem a cabeça e, consequentemente, serem reprovados pelo eleitorado, não conseguindo a reeleição. A situação serve como um alerta para que tanto Serginho quanto Amarilton reflitam sobre suas posturas, lembrando que a política, além de ser um instrumento para ajudar a população, exige muita habilidade de articulação e respeito às regras partidárias, especialmente com as eleições se aproximando, onde qualquer movimento indevido pode custar caro.

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