DOADORA DE SÃO MANUEL RELATA EXPERIÊNCIA DE DOAR MEDULA ÓSSEA APÓS 15 ANOS DE CADASTRO

Moradora de São Manuel, Mariana Zaparoli ficou 15 anos cadastrada no Redome sem ser chamada até receber, em 2025, a notícia de que era compatível com um paciente. O procedimento, feito no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, envolveu injeções, um cateter e uma máquina. Mas o que ela descobriu pode surpreender quem pensa em se cadastrar.

Cadastro feito em 2010 rendeu chamado apenas 15 anos depois

DOADORA DE SÃO MANUEL RELATA EXPERIÊNCIA DE DOAR MEDULA ÓSSEA APÓS 15 ANOS DE CADASTRO

Moradora de São Manuel, Mariana Zaparoli relatou, em entrevista ao programa Sociais da Clube FM, a experiência de doar medula óssea para um paciente desconhecido. Ela se cadastrou como doadora voluntária no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) em 2010, mas só foi chamada em abril de 2025, após 15 anos de espera.

“A gente não esperava. Ficou lá, foi uma surpresa para todo mundo”, contou. O contato, inclusive, quase passou despercebido: como o telefone de Mariana estava desatualizado, o Redome mandou mensagem para o pai dela, que chegou a desconfiar de golpe. “Eu falei: não, vamos ver o que é. E era real.”

O procedimento foi realizado no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, referência no tratamento de doenças da medula óssea. “O Amaral Carvalho é um espetáculo”, afirmou.

Como funciona a doação

A doação de medula óssea não é o procedimento cirúrgico que muitos imaginam. No caso de Mariana, a coleta foi feita pelo sangue, em um processo semelhante a uma hemodiálise. Antes, ela tomou 15 injeções de filgrastim, medicamento que estimula o corpo a produzir células-tronco.

“Em nenhum momento isso me prejudica. Eu não estou tirando de mim, eu estou produzindo mais exatamente pra isso”, explicou. O incômodo, segundo ela, é passageiro: “Pra mim, esse incômodo durou dez dias. É nada, já passou.”

Como suas veias não suportariam a pressão da máquina, Mariana precisou de um cateter na jugular. “Fica com dois canudos enfiados no pescoço, que é um negócio esquisito”, descreveu. Apesar do desconforto, ela afirma que faria tudo de novo: “Hoje não tenho dúvida. Se aparecer de novo, eu vou doar.”

Um gesto que pode salvar uma vida

Mariana não sabe quem recebeu sua medula — a identidade do receptor é sigilosa. A chance de compatibilidade entre doadores não aparentados é de uma em 100 mil. Ela poderá saber o estado de saúde do paciente em novembro e, após um ano e meio, se ambos quiserem, pode ocorrer a quebra de sigilo.

“É a última esperança de uma pessoa. Não é uma vida, é o amor da vida de alguém, é o pai de alguém, é o filho de alguém”, emocionou-se.

O que mais a marcou foi ver uma criança no hospital: “Era um menininho, devia ter uns cinco aninhos, de boné, carregando a mochila e uma pelúcia. Aquilo me marcou demais.”

Apelo para novos doadores

Mariana aproveitou para incentivar novos cadastros. Podem se cadastrar pessoas saudáveis de 18 a 35 anos, no hemocentro, aproveitando a doação de sangue. “Não tenha medo. A gente pode fazer a diferença na vida de uma pessoa. Podia ser a sua pessoa”, disse.

Ela também relatou que a repercussão do seu relato nas redes sociais foi grande, e torce para que incentive outros: “Espero que pelo menos uma pessoa tenha feito o cadastro por causa desse post.”

VEJA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA:

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