Uma criança de 9 anos ingeriu medicação controlada errada por mais de 15 dias após uma falha na entrega pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de São Manuel. A Prefeitura anunciou a abertura de um processo administrativo, mas não esclareceu se a pessoa responsável pelo erro continua atuando na dispensação de remédios.
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O drama e a indignação da família
O caso veio à tona após um forte e comovente desabafo da mãe da criança nas redes sociais. Vivendo um momento de extrema vulnerabilidade, com a filha mais velha internada na UTI no início de março, a mãe relatou que o marido foi encarregado de buscar a medicação de uso contínuo da filha caçula, de 9 anos, diagnosticada com TDAH, Transtorno Opositor Desafiador (TOD) e ansiedade generalizada.
Confiando no sistema de saúde, a mãe administrou o remédio entregue pelo CAPS diariamente. No entanto, com o passar dos dias, a criança começou a apresentar reações adversas preocupantes, como sonolência excessiva, queixas de dores no coração e alterações bruscas de comportamento. Foi então que a família descobriu o erro: o medicamento entregue não era o receitado.
“Minha filha poderia ter morrido. E eu estava ali, dando o remédio, acreditando que estava cuidando… quando, na verdade, estava colocando a vida dela em risco por um erro absurdo do sistema de saúde”, desabafou a mãe.
Apesar de a criança ter passado por avaliação no pronto-socorro, a mãe cobra ações efetivas. “Eu aceito desculpas. Mas isso não resolve. Eu quero respostas. Eu quero responsabilização. Eu quero que isso nunca mais aconteça com outra família.”
Posicionamento da Prefeitura e a falta de respostas
Diante da gravidade da situação, a Secretaria Municipal de Saúde de São Manuel emitiu uma nota oficial confirmando o ocorrido e informando a “instauração de processo administrativo interno para apuração rigorosa dos fatos”. A pasta garantiu que eventuais responsabilidades serão tratadas nos termos da legislação e que a criança e a família estão recebendo acompanhamento médico e acolhimento da rede municipal.
No entanto, o comunicado oficial deixa uma lacuna grave que vai de encontro ao apelo da mãe por segurança. A nota não informa se o profissional responsável por entregar a medicação errada foi afastado de suas funções durante a investigação.
Ao afirmar apenas que as responsabilidades serão tratadas “ao final da apuração”, a Secretaria de Saúde não deixa claro para a população quais medidas imediatas foram tomadas no setor de dispensação do CAPS para garantir, como pediu a mãe da criança, que o mesmo erro não coloque a vida de outros pacientes em risco amanhã.
Nota da redação: A Secretaria Municipal de Saúde reafirmou seu compromisso com a qualidade e segurança dos serviços prestados e se colocou à disposição para novos esclarecimentos. O espaço segue aberto caso a Prefeitura deseje informar se houve o afastamento preventivo no setor.


