Em conversa com Thiago Melego, o presidente da Câmara de Pratânia, Kendji Takeda, detalha os motivos da denúncia que podem levar a cassação do prefeito Osmir Félix, rebate acusações de “golpe” e explica por que vereadoras da base foram impedidas de integrar a comissão.
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“Ninguém é culpado até que se prove o contrário”
Nesta terça-feira (10), o presidente da Câmara Municipal de Pratânia, Kendji Takeda (Kendji Veterinário), concedeu uma entrevista esclarecedora ao jornalista Thiago Melego, na Rádio Clube (88.7 FM). O tema central foi a abertura da Comissão Processante contra o prefeito Osmir José Félix, aprovada na noite anterior por 7 votos a 2.
Kendji fez questão de enfatizar que a abertura do processo não é uma condenação antecipada. “Ninguém está caçando, ninguém está crucificando. A comissão foi montada para que haja uma investigação. Se não tem nada de errado, nada mais transparente do que ser investigado”, afirmou o presidente, rebatendo boatos de que estaria interessado no cargo do prefeito. “Não tenho ambição de ser prefeito. Se ele for cassado, quem assume é o vice.”
O Cerne da denúncia: Salário sem trabalho
Durante a entrevista, Kendji explicou didaticamente o motivo da denúncia. Segundo ele, o problema não é a primeira-dama atuar no Fundo Social, mas sim receber como agente comunitária de saúde sem exercer a função.
“Ela recebia o salário, mas não estava exercendo o cargo. Deixou uma região toda descoberta, onde outros funcionários tiveram que cobrir”, explicou Kendji. Ele destacou um dado alarmante levantado na cassação da ex-vereadora: “Tanto que ficou comprovado que ela foi a única servidora da prefeitura que não tinha o ponto digital controlado. Eles tentaram, inclusive, mandar um ponto totalmente assinado, que ficou muito estranho. […] Ela também não conseguia apresentar a planilha que o agente comunitário de saúde vai preencheendo ao longo dos meses, dos dias, dos meses e anos. […] Então ela não conseguia apresentar prova nenhuma de que ela realmente trabalhava e recebia esse salário.”. O prejuízo estimado aos cofres públicos, sem correção, gira em torno de R$ 72 mil, mas Kendji estima que, com juros e correção, o valor pode ultrapassar os R$ 100 mil.
Polêmica na formação da comissão
Questionado por Thiago Melego sobre o impedimento das vereadoras Ana Quessada e Anália Neres (ambas do PP, partido do prefeito) de participarem da Comissão Processante, Kendji assumiu a responsabilidade pela decisão e explicou a estratégia jurídica.
“É uma deliberação da presidência. Elas são do mesmo partido do prefeito. Isso poderia ser usado para manipular prazos”, justificou. O presidente alertou que o processo tem um rito rigoroso e um prazo fatal de 90 dias. “Se elas faltassem às reuniões, por exemplo, isso prorrogaria o prazo e poderíamos perder todo o rito processual por decurso de tempo. Foi uma medida para garantir que a investigação ocorra de maneira correta e dentro da lei.”


