
Ela aprendeu a parecer calma
Não porque a vida foi leve,
mas porque precisou ser forte demais.
É linda.
De uma beleza que não grita,
mas permanece.
Tem olhos verdes de quem ainda quer viver uma paixão
— mesmo quando finge que não.
Entrega-se à profissão,
aos filhos adolescentes,
às rotinas que salvam e escondem.
Na literatura, encontra as dores que não confessa.
Na música, reconhece amores que nunca viveu.
Às vezes percebe que há com quem dividir o silêncio,
um olhar mais demorado,
uma conversa que passa do limite.
Mas recua.
Quase sempre são pessoas comprometidas.
E ela ainda acredita que dignidade também é forma de amor.
Só que o tempo passa.
E o amor guardado demais começa a pesar.
Não por falta de ternura,
mas por excesso de contenção.
Talvez um dia ela escolha.
Não a promessa,
não a eternidade.
Mas o instante verdadeiro.
O amor possível.
A coragem de sentir sem pedir desculpas.
Porque há amores que não pedem promessas —
pedem apenas a coragem silenciosa de existir.
José Luiz Ricchetti – 19/01/26


