A história de Floripes “Lola” Dornellas de Jesus, que alegou viver por 60 anos apenas com a hóstia, é alvo de um processo de beatificação pela Igreja e, ao mesmo tempo, de uma pesquisa científica pela UFJF. O caso, que desafia a lógica, mobiliza fé e ciência décadas após sua morte.
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Enquanto Igreja avança com processo de beatificação, universidade investiga fenômeno que desafia a fisiologia humana

A extraordinária história de Floripes Dornellas de Jesus, conhecida como Lola, está no centro de duas frentes de investigação em Minas Gerais: uma religiosa e outra científica. Famosa por alegar ter sobrevivido por mais de 60 anos alimentando-se exclusivamente da comunhão diária, sem comer, beber ou dormir, Lola se tornou um ícone de fé e agora é objeto de um estudo acadêmico.
Nascida em 1913, Lola ficou paraplégica aos 22 anos após cair de um pé de jabuticaba. A partir de então, afirmava não sentir mais fome, sede ou sono. Sua casa em Rio Pomba (MG) virou um ponto de peregrinação nas décadas de 1940 e 1950, com fiéis buscando curas e conselhos.
Reconhecida pela Igreja Católica como Serva de Deus, Lola faleceu em 1999, aos 86 anos. Atualmente, a Arquidiocese de Mariana prepara a abertura oficial de seu processo de beatificação, um passo importante no caminho para a santidade.
Em paralelo, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), através do Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde (Nupes), iniciou uma pesquisa aprofundada sobre o caso. O psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, coordenador do estudo, explica que o objetivo não é confirmar ou negar o milagre, mas compreender o fenômeno. A pesquisa reúne entrevistas, registros históricos e laudos, levantando hipóteses que vão desde distúrbios alimentares com motivação espiritual até a possibilidade de uma fraude sustentada pela devoção popular. Os cientistas são categóricos ao afirmar que, com o conhecimento atual, não há mecanismo fisiológico que permita sobreviver tanto tempo sem água e nutrientes.
O caso de Lola, embora único pela duração, ecoa outras histórias na tradição católica, como as de Santa Catarina de Sena e São Nicolau de Flüe, que também teriam vivido longos períodos apenas da Eucaristia. Décadas após sua morte, o legado de Lola continua a desafiar fronteiras, movendo tanto a fé que busca sua canonização quanto a ciência que busca uma explicação.


