Artimanhas e contradições políticas no ano eleitoral, por Pedro Luiz Biandan

by thiagomelego 8 de janeiro de 2020 at 10:53 AM
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Com um discurso firme, o Prefeito de São Manuel, durante os três últimos anos vem batendo na tecla das mudanças e as melhorias nos serviços públicos, tendo declarado neste final de 2019, que já cumpriu 80% de suas promessas de campanha.

Sempre com justificativa de estar organizando a casa, cortou ou reduziu vários investimentos e direitos adquiridos pela população ao longo dos anos, se cumprindo regras, talvez, porém vemos outros gestores da região, contornando a situação de maneira inteligente e com artifícios políticos, este último, ausente em São Manuel nestes ultimo anos. Outra incógnita, com uma reforma administrativa renegada pelos servidores públicos, contratou especialistas que arrocharam os vencimentos de vários servidores municipais, principalmente e curiosamente aqueles com cargos de menor impacto financeiro para a Prefeitura.

Provavelmente orientado por diretores municipais, estritamente burocratas que emperram a gestão em vários seguimentos, sempre sob o argumento de economia e também por estrategistas, pagos com dinheiro público, responsáveis por blindar e manter a boa imagem, o Prefeito deixou várias ações para o último ano de mandato, já que é candidato a reeleição, ou seja, teoricamente, economiza nos primeiros anos que o povo esquece, e no último ano faz para servir de vitrine eleitoral.

Ocorre que o eleitor anda de olho em gestores com esta característica, pois é penalizado durante longos anos com obras paradas, serviços ruins e até a falta deles e depois é “induzido” a garantir a reeleição daquele que negligenciou muita coisa em nome de uma estratégia política de permanecer no cargo.

Várias são as obras paradas iniciadas na gestão do ex-prefeito Marcos Monti, que não foram retomadas, mesmo tendo se passado três anos, vamos a elas:

– Centro Integrado de Apoio a Educação, 2015;
– Unidade de Pronto Atendimento, 2015;
– Creche da Cohab I, 2016;
– Distrito Industrial II 2014.

Outras obras, conquistadas na gestão anterior, nem foram iniciadas, vamos a elas:
– Centro de Convivência do Idoso;
– Creche do CDHU II
– Asfaltamento do Desmembramento Hélio Aguiar.

Outras ainda iniciadas nesta gestão com os recursos do PAC II, conquistado em 2015, foram iniciadas, mas curiosamente estão atualmente paradas, vamos a elas:

– Rotatória do Distrito Industrial II
– Asfaltamento do Distrito Industrial I

Não podemos é claro, tirar o mérito de obras do Prefeito, iniciadas em sua gestão e já concluídas, vamos a elas:

– Prédio da Diretoria de Esportes;
– Bebedor de Água do parquinho do Poli e
– Academia Ar Livre do Residencial Santana.

Podemos acompanhar alguns pronunciamentos oficiais e entrevistas de rádio do Prefeito, onde ele cita que a Prefeitura, através de economia e bom uso dos recursos públicos, teria cerca de 4 milhões de reais em caixa para alguns investimentos, ou seja, para melhor entendermos, seria um start em obras paradas, já que esses investimentos seriam a contra partida obrigatória da Casa para finalizar essas obras, curiosamente no último ano de mandato e assim inaugurar a vitrine eleitoral.

As artimanhas políticas são praticadas a muitos anos por todo político que detenha cargos no executivo e que pretenda a reeleição, isso até de forma legal, pois apesar de imoral, o político não comete crime por usar a máquina administrativa a favor da sua reeleição, até houveram uma ou outra contestação ou pressão natural da oposição, porém ainda assim, sempre foi desconsiderado.

O que eu não consigo entender, isso lendo uma matéria no site da Prefeitura, é qual o motivo da Prefeitura pedir empréstimo de R$ 4 milhões junto a Caixa Federal, advindos de recursos federais para promover obras de infraestrutura que segundo o próprio Prefeito, se arrastam a anos, culpando administrações anteriores pela aprovação desenfreada de loteamentos sem algumas estruturas necessárias, sem se atentar ao fato que ao longo dos anos a legislação com relação ao parcelamento do solo (loteamentos) tenha sofrido alterações, tornando obrigatórias, essas infraestruturas, mas não a época dessas aprovações.

Contradição ou não, com R$ 4 milhões em caixa daria para fazer todas essas obras de infraestrutura, as quais são o foco das reclamações diárias dos munícipes, isso desde o início dessa gestão. Qual seria a conta para a Prefeitura pagar daqui a alguns anos, já que além desse financiamento pretendido, a prefeitura, além da dívida fundada normal, já terá de arcar com outro financiamento da renovação da frota, recentemente promovida por essa gestão.

Esse enxerto de recursos em final de mandato, criaria uma situação de endividamento, não se trata da Prefeitura de São Manuel, ter empoderamento ou saúde financeira para suportar esses débitos, se trata do comprometimento de investimentos com recursos próprios, exigíveis em contra partida a emendas e convênios estaduais e federais. Pois estamos muito distantes da tão sonhada prioridade municipalista, pelo Governo Federal.

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