A voz da cidade: Pereira de Souza é locutor há 52 anos

Jornal O Eco – Pereira de Souza, de 65 anos, ou apenas Pereira, é uma das figuras mais carismáticas de Areiópolis. Ele é conhecido em toda a cidade, por seu trabalho como inspetor de aluno, como locutor na Rádio Clube de São Manuel e na rádio comunitária Líder, e também por divulgar as duplas de viola e violão da região.
O nome de batismo é Luiz Antonio Pereira de Souza, mas isso pouca gente sabe ou lembra. “Um dia minha mulher estava lavando a calçada e chegou uma pessoa e perguntou: aqui que mora o Luiz Antonio? Ela respondeu: não. Aqui mora o Pereira”, brinca.

Ele dispensou os dois primeiros nomes quando ganhou seu primeiro programa de rádio, aos 17 anos. A inspiração foi um famoso locutor da Rádio Nacional, hoje Rádio Globo, de quem ele era fã. “Visitei a rádio Nacional quando era adolescente. Conheci tudo lá e me inspirei em Edgard de Souza. Era muito fã dele. Me inspirava nos bordões que ele usava”, recorda.
O locutor contabiliza 52 anos de trabalho em rádio. Ele conta que começou aos 12 anos, na própria Rádio Clube, trabalhando na técnica. Aos poucos, foi fazendo pontas em diversos programas. Aos 17 anos, veio o convite para ter seu próprio horário. Ia ao ar às 4h e passou a inserir a música sertaneja na programação, uma de suas grandes paixões.

Pereira nasceu em São Manuel, mas ainda muito pequeno foi viver em uma fazenda nas proximidades de Areiópolis. Quando ele completou 10 anos, a família voltou para São Manuel. Foi assim que surgiu a oportunidade de trabalhar na rádio.
Aos 17 anos, além de conseguir seu próprio programa, Pereira também conheceu Tereza, com quem está casado até hoje e tem três filhos.

Em 1973, casou-se e mudou para Areiópolis. Diante da responsabilidade de assumir uma família, foi em busca de outra profissão. “Naquela época, o pessoal não gostava muito de violeiro e de radialista, éramos vistos como pessoas que não trabalhavam. Até meus sogros acharam que não ia dar certo. E também não tocavam música de viola como tocam nas FM’s hoje. Parece que era proibido. Tocavam mais músicas internacionais, bossa nova, jovem guarda”, destaca.
Assim começou a trabalhar como motorista, mas sem abandonar o rádio. Atualmente ele é funcionário público estadual e atua como inspetor de alunos na escola Professor Pedro Augusto Barreto.
Nesses 52 anos de rádio, passou dois anos longe da locução. Entre 1978 e 1980, precisou se afastar por causa de problemas pessoais. Nesse período, atuou como repórter, principalmente em coberturas esportivas.

Pereira é apaixonado pela família, pela viola e pelo violão (embora nunca tenha aprendido a tocar, mesmo sendo filho de violeiro) e pelo rádio. “O rádio é minha vida. O dia que eu sair do rádio eu vou morrer. É minha terapia, meu médico, é tudo para mim. Todos os percalços que eu enfrentei na minha vida, os altos e baixos, o rádio me ajudou”, conclui.

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